



Sexta-feira, Novembro 17, 2006
DEPOIS DE TER VOCÊ
Depois de ter você, parei de ler meu horóscopo. Acho que, de repente, o futuro chegou e não preciso me importar com o que virá depois. É como se essa sensação de não ter que adiar a felicidade me deixasse ainda mais feliz (mas, afinal, por que buscar tão longe algo que está bem dentro de você?). Eu transbordo. Transbordo de certeza de que dessa vez tirei a sorte grande e não há nada no mundo que roube esse encanto. E o mais engraçado é que nunca li isso no meu mapa astral...
Veio sem aviso e sem manual. Dá um medinho de usar demais e de repente pifar de vez. Mas eu corro esse risco, você é minha tentação, meu vício. Não dá pra fugir dos clichês que a gente vê por aí. Quem está de fora só enxerga isso. Eu enxergo a vida. Mais colorida, mais sensata e coerente do que nunca. Eu enxergo o desejo de ter você todos os dias, porque depois de ter você desejo mais cada diazinho que vivo.
Eu não sei se é pra sempre, não faz diferença. Não quero que faça. Só quero que fique. Não importa quanto tempo durar, desejo que fique essa certeza de que o amor é mesmo a grande razão dessa vida louca. E, ainda mais, quero que fique em mim um pouco de você, do seu jeito macio de viver, como quem vem de mansinho e toca suavemente cada momento, cada pessoa e vai semeando doçura por onde passa, como a luz da fotossíntese, que a planta acolhe e transforma em energia positiva, energia nova, em vida.
Depois de ter você, só me resta tentar ser competente pra te fazer feliz exatamente desse jeitinho delicioso que você me faz.
Sobre a Mágoa
a dor coagulou em minhas veias
e minhas entranhas estão cheias
do que não passou
Eu
tudo que um dia eu fui
é tudo que melhorei pra ser agora
meu eu cresce nunca diminui
balançado pelos meus eus de outrora
certo ou errado é assim
dúvida ou clareza lado a lado
rosas que tem cheiro de jasmim
sinos a tocar sem ter badalo
ser um aprendiz eternamente
fazem minha pessoa ser feliz
dizem ao meu eu intermitente
pra onde chegar fincar raiz
flores a brotar em vários olhos
brilhos a ofuscar minha visão
belezas tais como a de Abrolhos
natural, fazem perder na imensidão
confusão de pensamentos e questões
indicam uma mudança quase eterna
sentindo bem mais que sensações
mesmo quando quase meu eu hiberna
tantas as perguntas matinais
tantas as respostas vespertinas
tanto dialogo com animais
tanto olho olhares de meninas
tantas noites tenho pesadelos
tantas noites não lembro dos sonhos
em sonho fui até vários terreiros
livrar-me dos olhares tão medonhos
ciganas a dançar em puro ardor
anjos a atirar-me ao peito flechas
sempre a desejar um novo amor
mantenho-me com as portas do meu eu abertas...
mantenho-me com as portas do meu eu abertas...
sempre a desejar um novo amor
anjos a atirar-me ao peito flechas
ciganas a dançar em puro ardor
livrar-me dos olhares tão medonhos
em sonho fui até vários terreiros
tantas noites não lembro dos sonhos
tantas noites tenho pesadelos
tanto olho olhares de meninas
tanto dialogo com animais
tantas as respostas vespertinas
tantas as perguntas matinais
mesmo quando quase meu eu hiberna
sentindo bem mais que sensações
indicam uma mudança quase eterna
confusão de pensamentos e questões
natural fazem perder na imensidão
belezas tais como a de Abrolhos
brilhos a ofuscar minha visão
flores a brotar em vários olhos
pra onde chegar fincar raiz
dizem ao meu eu intermitente
fazem minha pessoa ser feliz
ser um aprendiz eternamente
sinos a tocar sem ter badalo
rosas que tem cheiro de jasmim
dúvida e clareza lado a lado
certo ou errado é assim
balançado pelos meus eus de outrora
meu eu cresce nunca diminui
é tudo que melhorei pra ser agora
tudo que um dia eu fui
Duka Souto