



Segunda-feira, Outubro 31, 2005
UM POUCO MAIS DE VÍRGULAS
Se eu pudesse controlar os ímpetos da minha geração, com certeza poria um pouco mais de vírgulas em seu enredo. São facultativas, eu sei, mas uma vírgula aqui, outra ali, devolveriam a poesia aos nossos valores, há tempos perdidos nas apertadas entrelinhas do compasso moderno.
Um pouco mais de tempo diário no convívio familiar, para absorvermos as lições mais valiosas da vida.
Um intervalo maior antes de decidirmos o resto de nossas vidas nas inscrições dos vestibulares.
Uma pausa entre a praia e a academia, para a dedicação ao exercício cerebral e armazenamento de qualquer conteúdo digno de ser expressado numa conversa informal.
Um suspiro antes do beijo, que já não rouba o ritmo dos corações banalizados por uma sexualidade cada vez mais seca de sentimentos e valores.
Uma vírgula entre o primeiro beijo e a não mais esperada noite de amor.
Um pouco mais de vírgulas e de todas as entrelinhas que elas podem trazer. É disso que essa geração reticencial precisa.
Escapuliu, por acaso:
A distância me ajuda a idealizar as pessoas e eu passo a amá-las em mim e não no que elas são. E não me importa: se assim eu me sinto melhor, prefiro me iludir e cultivar meus mais virtuosos sentimentos (despretensiosamente, é claro).
Viva cada dia como se fosse de propósito.