



Terça-feira, Setembro 13, 2005
Passando a Limpo
Deixou molhar um pedaço vazio do papel. Esperava ansiosamente que aquelas linhas tão decididas tecessem algum comentário. Ninguém falou nada. Não havia mesmo consolo a se dar. Se solidão tivesse remédio, não faltariam farmacêuticos milionários por aí.
Aquele insistente papel pálido refletia o seu vazio. Interessante? Até mesmo um papel em branco poderia ser interessante. Não era essa a questão. Perguntava-se quem seria capaz de contar uma história sem rascunhos, em uma folha solta de caderno. Cheia de linhas. Repleta de entrelinhas.
Encarou pela última vez seu ríspido delator e não resistiu à denúncia. Rasgou-o em pedacinhos, cuidadosamente, e jogou tudo pela janela: alguém tinha que se libertar, finalmente.
O primeiro passo para se chegar a um fim: acreditar no caminho.