



Quarta-feira, Junho 22, 2005
Rosebud (o Verbo E A Verba)
by Lenine / Lula Queiroga
Dolores, dólares...
O verbo saiu com os amigos
pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas,
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afogou sua mágoa, e dormiu.
Dolores e dólares.... rosebud
O verbo gastou saliva,
de tanto falar pro nada.
A verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cádaver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.
rosebud, dolores e dolares...
Existem coisas na vida que são onipresentes em todos nós. Não importa da onde você veio, pra onde deseja ir, ou a língua que fala. Todo mundo quer felicidade, todo mundo deseja um banquet com seu prato predileto sobre a mesa. Ou um buquê com seu par predileto sobre a cama. Todo mundo fecha os olhos para apreciar o calor dos raios de sol, à tarde, na calçada do quintal e sente uma ligeira sensação de voltar ao ventre materno. É a lei, como diria meu querido Lenine. Ninguém faz idéia e todo mundo sabe o que é.
A minha vontade de te ver de novo não deixa de ser um desses exemplos universais. Aquela ansiedade por saber se nos veremos novamente ou se o destino é tão irônico a ponto de nos fazer tropeçar em caminhos tão certos. O pior é que eu sei que você me entende e que estende essa dúvida até o fim.
Não adianta, eu sou eu mesma e azar de quem não gostar. Não (me) disfarço. Não sei jogar outro jogo. Em meu mundo, não cabem jogos de azar. Azar o meu que acaba perdendo a vez por não querer jogar.
Formato Mínimo
Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos, gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se, ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela, o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele, enfim, dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo à vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele, uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando, clínico
Da triste solidão, à rubrica
Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão
Sem querer ofender
Só não entendo o que faz uma pessoa cultivar um sentimento em outra e joga-la de lado. Como se sua própria conquista não valesse nada. Diga que você arranjou outra, uma coroa vivida, que é casado, que é gay, mas não diga que você é um idiota que não consegue enfrentar um relacionamento ou sequer dar um fora numa boa. Porque aí você já vai estar me ofendendo.
Por mim
Apaguei sua última mensagem no meu celular. Um ritual simbólico e cada vez mais freqüente em meu cotidiano. Palavras vãs, mentiras sinceras, não me interessam mais. A companhia que mais tem me agradado nos últimos tempos tem sido eu mesma. Adoro sair comigo, estar comigo, morar comigo. Sou uma pessoa muito interessante e morro de tesão por mim. Por isso, tenho preferido ficar na minha, solteira, mas nunca sozinha. Daí, sempre aparece um disposto a inverter a inércia e prometer que eu serei mais eu (o que muito me interessa) se estiver com ele. Dou uma chance, duas e me perco na história. E te procuro na esperança de me achar e voltar a me sentir satisfeita comigo mesma. Aí, já começo errando e termino ainda mais convencida de que só uma pessoa é responsável por me fazer feliz. E não é você.
Homenagem
ADORO VIVER!