Quinta-feira, Abril 28, 2005

O meu noivo

Quando eu era pequena, eu sabia muito bem com quem ia me casar. Ele era lindo, cabelos negros, olhos azuis, um sorriso irresistível e a pele da cor do verão. E quantos verões eu passei sonhando com ele! Um amor platônico, um desejo real, nascidos quando eu nem sabia explicar nada disso. Ele era um amor impossível: 11 anos mais velho, outro mundo. Mas eu podia jurar que era recíproco. Com todo o respeito que ele devia (e devia) ter por mim, ele também me enxergava, eu tinha certeza. Eu o via uma vez por ano e isso me bastava para eu passar o ano inteiro esperando-o. Era bonito, era sincero, era simples e profundo. Sem joguinhos, sem ilusões, sem ninguém pra me dizer que ele não prestava, sem decepções. Dentro de mim, eu, mais ninguém. Até que nossos caminhos se afastaram e eu cresci. E descobri as vantagens e desvantagens de não saber muito bem com quem vou me casar.


Sophia  as 4:48 PM Diga a Verdade:
Segunda-feira, Abril 25, 2005

Regra Nº 03

Homem que é homem cospe no prato que come.


Sophia  as 1:33 PM Diga a Verdade:

Oração pra quando a cerveja acabar

Acabou a cerveja.
Mas, veja, que ainda resta a viola na mão
e o coração que não se cansa de acreditar na canção
que diz que o futuro da nação
somos nós.
Com espuma ou não,
em Lençóis, Mato Grosso e Bahia
ou em qualquer lugar onde possam a magia
e a tulipa gelada chegar.
No mar, no ar, em Belém do Pará.
Na cerveja do Zeca que peca,
mas reza pedindo perdão.
No selinho que Maria deu no João,
depois de descer um engradado.
No amor dos namorados que tomaram uma caixa
e descobriram como se encaixa o céu no mar.
Transborda a esperança na dança da criança,
mesmo se a cerveja acabar.
Resta a festa que presta e empresta
o frescor de sonhar.
Em verde e amarelo,
em loiras e morenas (grandes e pequenas),
no pão,
no circo,
no pobre e no rico.
Ao remelexo do pandeiro,
mesmo que não sobre dinheiro,
ergue o sol por inteiro,
sem deixar degelar.
Três dedos de chopp,
dois dedos de prosa e uma rosa
para enfeitar.
Dona Maria Joana já botou pra gelar.
E chama os amigos, os inimigos,
os mocinhos, os bandidos,
os vizinhos,
promete tomar um golinho
pra brindar.
Ao santo, ao pranto,
à alegria de amar.
Calça as chuteiras,
faz um gol de primeira
e toma a saideira
sem entornar.
O país do carnaval
pendura as tristezas no varal do quintal
e deixa secar. Deixa pra lá,
deixa molhar os olhos, transbordar a emoção,
alagar o coração sem derramar.
Porque amanhã vai ser outro dia
e Alemanha nenhuma fabrica essa magia
que não leva embora a alegria,
mesmo se a cerveja acabar.


Sophia  as 1:21 PM Diga a Verdade:
Quarta-feira, Abril 20, 2005

Tudo

Acordou bruscamente e mal olhou no espelho. Sonhou que era mais do que tinha, que tinha tudo o que era. Chorou sem saber porquê, olhou sem ter o que dizer, falou que não diria nada. Entendeu um pouco de tudo, estendeu um abraço mudo, enxugou os restos de pensamentos, dobrou as poucas lembranças, arrumou suas malas e partiu sem arrependimentos.



Sophia  as 10:19 PM Diga a Verdade:

19 de Abril

Eu queria era ser índio pra andar de bumbum de fora, contemplar a beleza da aurora, fumar um de hora em hora e ser feliz.


Sophia  as 10:13 PM Diga a Verdade:

Antíteses

Eu sempre disse que a razão de viver era amar. Até que amei e quase morri. Sempre achei que é mais importante sonhar. Até que, de tanto sonhar, quase dormi. Sempre estive à procura de heróis. Até que descobri um dentro de mim. Não me surpreenderia se todas as minhas palavras falassem muito de você e nada de mim.


Sophia  as 10:13 PM Diga a Verdade:
Segunda-feira, Abril 04, 2005

Que fique publicado e registrado como documento intransitivo:
Eu jamais discutirei com uma amiga, por causa de um homem.


Sophia  as 3:30 PM Diga a Verdade:




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