



Segunda-feira, Março 28, 2005
Você acredita em fadas? Acabo de ver uma, no meu quintal, cochichando com a samambaia. Dizia que as pessoas precisam acreditar mais em magia, que a vida é um faz-de-conta, basta apenas acreditar. E o narrador é você. Você pode não criar a estória, mas pode dar o clima e a entonação que quiser e tudo fluirá de acordo com a sua verdade. Não sei se ela me viu sentada, atrás da laranjeira, ou se acredita que eu exista. Mas, que eu a vi, ah, isso eu vi!
A insônia acaba de me lembrar que faltam 15 dias pro meu aniversário. Sai o 2 e entra o 3, por sorte, ainda não é na primeira casa decimal. Resta-me o prazo de 7 anos para firmar meu nome, minha carreira, meu endereço, meu estado civil, meu peso, meu projeto de vida, a cor do meu cabelo, a história da minha vida.
Ah! Ninguém me avisou que existia a crise dos 23!
Modéstia À Parte
Eu olho no espelho e vejo tanta vontade, tanto potencial em estado de latência-desperdiçada. Eu sou uma coleção de talentos presa nos limites de uma conta bancária. E imagino quantos desses há por aí. Um punhado de iludidos desiludidos, com nível "superior" (ou não). Um bocado de desbocados sem voz e sem honra, lutando por um pouco de dignidade, ou até mesmo por um salário mínimo para subsistência (o que passa longe do conceito de dignidade). Me dá nojo dessa (des)organização sem solução que chamamos sociedade.
Apesar de eu cada vez mais me impressionar com a capacidade que esse povo tem de ser maravilhoso, preciso desabafar: parece que a beleza dos cariocas está inversamente proporcional à sua capacidade de armazenar qualquer tipo de conteúdo interessante.
Os Porões dos Seus Castelos
Todo poeta precisa de uma musa
Sinto que você me usa
Para seus fins
Você esquece que musas também precisam de inspiração
Que nada mais vale um tostão
Quando a oferta é exagerada
Não precise de mim:
Desprecise
Diga que acabou
Mas deixe um sinal
De que nem tudo está perdido
E não me deixe saber mais nada das suas canções
Não ilumine os porões dos seus castelos
Porque romances só são belos à meia-luz
Nossos corpos ficam nús
As sombras, não