



Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
ÀS VEZES
Às vezes, eu me pergunto como seria, não se tivéssemos tudo o que desejamos (porque, aí, já sabemos não haver graça alguma), mas se soubéssemos todos os nossos desejos.
Se eu soubesse os seus desejos, ainda desejaria ser um deles? Acho que sim, pois, se não temos tudo o que desejamos, aprendemos a desejar tudo o que temos (e heis a dádiva dos felicitados com a satisfação plena).
Deve ser por isso que, quase sem perceber, vou aprendendo a desejar seus desejos (mesmo sem sabe-los ao certo) e mergulhando cada vez mais fundo nesse labirinto abissal da sua alma, e vou tocando-a sem sequer vê-la, mas sentindo-a como se fosse minha. Deve ser por isso que já não desejo seus olhos, desejo a profundidade do seu olhar.
com todo respeito
você daquele jeito
dever ser bem legal
Assalto
Toma tudo que tenho.
Corre. Leva.
Por que as pessoas não entendem que, para raspar a panela, é preciso fazer o doce?
Se eu luto pelo que eu quero? Até demais... Às vezes, parece que sou uma menina mimada que não aceita tudo como a vida me entrega, que não quer nada de mão beijada e precisa sempre aperfeiçoar (ou não) alguma coisa. Às vezes, acho que eu preferia desistir mais fácil das coisas difíceis e não desejar ir tão longe. Às vezes, dá até fraqueza se fazer de forte o tempo todo...
Meu corpo acaba de me dar uma boa e uma má notícia. Pior é que eu tava sem absorvente...
Muito sensato esse texto, bem a ver com meu momento atual.
Enterro...
E agora faço o enterro...
de todas as coisas ruins
de todos os sentimentos ruins
de todas as pessoas ruins
de todos aqueles que não me amam verdadeiramente...
Enterro e me dou uma nova vida
abrindo caminho para muitas coisas boas
muitos sentimentos bons
muitas pessoas boas
e para aqueles que me amam verdadeiramente...
Enterro e fico com as lembranças e os aprendizados
o amadurecimento que veio com a dor
com os cabelos brancos que veio com o tempo
com as rugas que ficaram no olhar
com o semblante doce que ficou depois do riso
Enterro agora todos os sapos que engoli
fazendo com que eles sigam agora um outro caminho
deixando meu corpo mais leve
minha mente mais serena
e meu coração aberto.
Aberto e sem dor, sem ressentimento, sem mágoa
Sem aquela incerteza, nem aquela insegurança
Deixo agora meu coração livre
Para aqueles bons que desejam e merecem entrar...
Déa Ramos
"Canudinho"
Renata Arruda
Se eu tivesse um canudinho, eu chupava você
Pra dentro do meu mundinho, pra comigo viver, pra comigo viver
Se eu tivesse um canudinho, eu me enchia de você
E acabava com o vazio, o vazio de viver
Se eu pudesse te liquefazer, eu te bebia até ficar de porre
Você me embebeda, você me enlouquece
Ai meu Deus, como você pode?
Se eu tivesse um canudinho, eu chupava você
Pra dentro do meu mundinho, pra comigo viver, pra comigo viver
Se eu tivesse um canudinho, eu me enchia de você
E acabava com o vazio, o vazio de viver
Se eu pudesse te liquefazer, eu te bebia até ficar de porre
Você me embebeda, você me enlouquece
Ai meu Deus, como você pode?
Deve ser por isso que os viajantes, antigamente, eram tão bem-vindos nos palácios estrangeiros. A possibilidade de conhecer mundos distantes através das memórias privilegiadas de um povo que tudo sabia devia valer ainda mais na época dos primórdios da comunicação. Digo isso porque hoje admiro quem pode falar pelo mundo e procuro guardar um pouco de cada experiência que me é relatada por quem chega ao meu mundinho de sonhos de explorar esse mundão de Deus. Nesse final de semana, conheci um desses viajantes e tive a sorte de ele ter o mesmo grande amor que eu: a fotografia. Ouvir as experiências fotográficas de alguém do outro lado do planeta acrescentou muita coisa nesse meu baú de memórias vividas pelos outros e me fez lembrar que o mundo ainda está aí, pronto para ser descoberto e relatado através das minhas paranóias.
Alguém aí já assistiu àquele filme "Abaixo o Amor"? E por falar em chocolate suprir as necessidades sexuais das pessoas, acabo de ganhar um chocolate de um gatinho impossível. Não que eu esteja só no chocolate, pelo contrário, mas, nesse caso, apesar de achar difícil, espero que apenas o chocolate seja suficiente...
Sei que já postei esse texto aqui, mas, gostaria de prestar novamente uma homenagem a alguém que me ensinou muito sobre a vida e que nos deixou num dia em que sua presença seria muito importante para mim, quando concluí minha faculdade. Rafael Gouveia, desejo que fique bem, onde quer que esteja.
Lição Nº7
"A paixão é algo tão forte que nos faz tirar forças de onde pensamos não haver mais... É incrível como conseguimos fazer qualquer coisa movidos pela paixão!"
Sempre começava seus diálogos assim, sem mais nem menos, desabafando algo que parecia estar consumindo-o por algum tempo. Ele tinha um Dom de poucos nos dias de hoje: sabia fazer-se ouvir sem nenhum esforço.
Acreditava no amor sim, mas sabia que aventuras eram o sal que temperava a rotina de um casamento. Mesmo que fossem aventuras na fantasia de um pobre sonhador que já não tinha muito a perder (nem a ganhar).
Sentava-se com aquela gloriosa pancinha e disparava a dissertar sobre as reviravoltas da vida. Não tinha a pose costumeira entre os colegas da área: era humilde como um avô ao contar histórias aos netos.
E sabia amar com os olhos cheios de respeito e gratidão. Nada dele saia impuro, nem mesmo os desvios de regra e os causos da saudosa marotice.
Amava porque não conseguia conter tanto sentimento dentro do peito já um tanto apertado pelas surpresas que a vida nos prepara em cada esquina.
Sua doce voz saia como uma melodia de prosas e contos que me guiavam a uma dimensão só dele. Seus erros e acertos eram lanternas que me guiariam num momento de incerteza.
Sentia-me lisonjeada por participar de inúmeras experiências e ser respeitada como um aprendiz deve ser. Nada de xerox ou cafezinho: um propósito muito maior que um simples estágio deve ter; aquele senhor respeitado tentava me ensinar a viver! Mais que um chefe, ele era um padrinho que me batizava na arte de lidar com pessoas. Provavelmente como uma forma de fazer para alguém o que ninguém fizera por ele. Por que Deus não dá poder a quem sabe usá-lo?
E, no final do dia, mais uma vez eu juntava minhas anotações e ia para casa, na certeza de não ter vivido um dia em vão.